No dia seguinte ao Natal, Bissau acordou em sobressalto, ao som de disparos de armas automáticas, reacendendo o pesadelo de um novo golpe de Estado.
O incidente ocorreu na base militar onde está guardado o material bélico, localizada no centro da capital. Na origem deste tiroteio estão desentendimentos entre o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, António Indjai, e Bubo Na Tchuto, chefe do Estado-Maior da Armada, cujo nome consta em vários relatórios da Interpol como estando envolvido no tráfico de droga que tem assolado o país nos últimos anos.
Apesar da agitação matinal, o presidente da CPLP - Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa, Domingos Simões Pereira, assegurou a A BOLA, desde Bissau, que a população está tranquila e que o país vive a normalidade possível.
«Tratou-se de um acto isolado e esperemos que os culpados sejam levados a assumir as suas responsabilidades. Tudo voltou à normalidade, apesar de a população não esconder algum desânimo, perplexidade e inconformismo com esta situação. Ainda assim, é bom saber que o Governo e a sociedade civil estão presentes», disse.
O presidente da CPLP sentiu mágoa por o país ser falado devido ao som das armas. «Lamento que a Guiné-Bissau volte a ser notícia pelos piores motivos numa altura em que estava a atravessar um longo período de acalmia e de desenvolvimento. Não é um processo fácil, linear e sabíamos que poderiam surgir alguns solavancos ao longo do processo de paz. Espero que não haja retrocesso», observou Domingos Simões Pereira.
Por Leonel Lopes Gomes
Noticia de Abola pt
ResponderExcluir